terça-feira, 1 de novembro de 2016

"Como fazer isso?"

De que maneira você age quando você precisa desenhar algo e não sabe como? Normalmente irá perguntar a alguém ou pesquisar em busca de respostas, não é? Porém, muitas vezes não dá tempo, pois desenhistas trabalham com prazos de entrega, prazos quase sempre curtos.

Portanto, haverá ocasiões (várias, eu diria) em que você estará por sua conta...quando deverá fazer sozinho, ao menos tentar, empregando os conhecimentos e ferramentas disponíveis, no momento. Foi o que aconteceu neste desenho que fiz há alguns dias:

Esse símbolo, provavelmente, é celta. Já o vi em várias imagens na internet...mas se existe um tutorial ensinando como traçá-lo, não tive a oportunidade de encontrar! Assim, tive que me virar, pegando a melhor referência (1) de que dispunha (infelizmente não lembro onde baixei essa imagem) e abri no Photoshop:

No programa, separei o símbolo do resto da imagem e utilizei as ferramentas de transformação (Warp, inclusive) para deixar o símbolo o mais plano possível. Até aquele instante eu tinha um palpite: a parte interna do símbolo lembrava bem uma estrela de cinco pontas (2)...


...então, talvez fosse melhor iniciar a construção do símbolo através de um pentágono (3), até porque eu poderia encaixar uma estrela dentro dele (a), caso fosse necessário.



Depois de construir o pentágono, notei outra coisa: se colocasse um círculo com o mesmo diâmetro de um dos lados do pentágono (4) e alinhado com precisão (setas vermelhas), eu teria uma boa base para trabalhar...



...e bastaria traçar o demarcador (ou o path, como conhecem alguns) até o topo do pentágono (5). Em seguida, era só contornar o demarcador com a espessura desejada, duplicaria as figuras resultantes mais quatro vezes (para completar cinco) e girar essas figuras 72 graus, tendo por eixo o centro do pentágono (indicado, na imagem abaixo, pela bolinha azul).



Não deu muito certo essa minha primeira tentativa (6), as formas não se encaixavam direito umas às outras (eu colorizei cada uma delas, a fim de tornar mais claro esse fato):



Eram, basicamente, dois problemas a se resolver (7): primeiro, no ponto marcado pelas setas vermelhas aparecia a emenda de duas formas e, segundo, as bordas dos contornos estavam onduladas, feias demais (a). Esse último problema ocorre muito no Photoshop, quando você contorna o demarcador com um traço muito espesso, igual ou superior a doze pixels de espessura. (Correção: na verdade, ele acontece a partir de espessuras de 30 pixels, como constatei depois de mais testes).



Na segunda tentativa,consegui deixar as bordas dos contornos mais suaves (veja aqui a técnica que empreguei), mas o problema de encaixe entre as formas continuava (8).



Ocultei, então, todas as camadas das formas, exceto duas delas (9) e corrigi a área problemática, usando demarcadores e máscaras de camadas. Veja que a curva, agora, ficou certinha (a).



Dupliquei a forma resultante e girei. Com esses cuidados, obtive o símbolo razoavelmente traçado (10) e podia partir para o acabamento.



Tratei as formas de modo a deixá-las trançadas umas às outras (11). Esse efeito não é tão difícil de se conseguir, só exige atenção e que você saiba usar máscaras de camada. Aqui tem um antigo tutorial meu, ensinado como fazer no Gimp (você terá poucos problemas em adaptar a técnica no Photoshop). Pintei as figuras com verde, de uma tonalidade média.



Selecionei todas formas, aumentei a seleção em quatro pixels e, em uma camada abaixo, preenchi a seleção com um tom de verde mais escuro (12).



Em seguida, selecionei as formas dessa camada, aumentei, de novo, a seleção em quatro pixels e pintei a seleção com o tom médio (13) em uma nova camada. Refiz essas ações, desta vez preenchendo a seleção com um tom de verde mais escuro que os anteriores(a)...



...deixando o símbolo com este aspecto (14):



Geralmente gosto de deixar um contorno interno, em um tom escuro (15). Para obtê-lo, também seleciono todas as formas...no entanto, neste caso eu,logicamente, reduzo a seleção, em vez de aumentá-la.



Para não deixar o fundo vazio, fabriquei essa figura com raios(16), semelhante às speedlines e a colorizei com degradê, de modo a ajudar a dar destaque ao símbolo (no futuro, se possível, ensinarei como traçar essa figura do fundo).



Resolvi trabalhar um pouco mais no contorno interno (17). Selecionei-o e aumentei a seleção em quatro pixels...e, em uma camada abaixo dele, pintei com um verde claro. Experimentei, ainda, aplicar patterns no contorno interno... até achar um que combinasse (a). Mais abaixo, na figura, (b) há uma amostra do pattern escolhido:



Para finalizar a ilustração, apliquei degradês de verde-claro nos quatro cantos do fundo...e fim.


Então...é isso! Até gostaria de ter postado a você um tutorial completo. Infelizmente não foi possível, isto me exigiria mais tempo e condições mais favoráveis. Mas, caso haja dúvidas, pode perguntar e responderei assim que puder... ou explicarei com maiores detalhes em futuras postagens.

sábado, 22 de outubro de 2016

Pequenos detalhes...

Quem viu minhas postagens, seja neste blog ou em fóruns, sabe que tenho o hábito de traçar minhas figuras no Inkscape e exportá-las depois para o Photoshop, onde faço a finalização. Com esta aqui, no entanto, eu mudei um pouco a rotina:

Onde mudei? A princípio eu começei a traçar tudo no Photoshop...quando percebi a presença de algumas serrilhas em certas áreas dos contornos. Para resolver o problema, decidi exportar a figura como png e abrir o arquivo no Inkscape.

Ali, usei a vetorização automática do programa, o comando "Rastrear Bitmap", um ótimo recurso para suavizar contornos de desenhos, ajudando na remoção de serrilhas, inclusive. Na imagem abaixo, temos o "antes" da vetorização (à esquerda) e o "depois" (à direita). Coloquei bolinhas vermelhas nas áreas onde estavam as serrilhas, para ajudar você a notar melhor as diferenças:

Eu já havia explicado, um pouco, sobre a vetorização automática do Inkscape na postagem sobre como criar speedlines. Embora, naquela época, eu usasse uma versão anterior do programa, você não terá dificuldade em utilizar o recurso na nova versão.

Após a vetorização, exportei a figura no formato png, com o dobro do tamanho. Fechei o Inkscape e abri o arquivo no Photoshop, onde a reduzi em 50%...daí foi partir pro acabamento.

Aqui cabe um lembrete: naturalmente a vetorização automática não fará milagres. Dependendo do estilo e do tipo de desenho, talvez você obtenha resultados melhores se traçar pela vetorização manual. Ou precise fazer pequenos retoques em certas partes...como eu precisei, neste caso. Note que eu também alterei/acrescentei detalhes na fase do acabamento no Photoshop.

Já ia esquecendo: produzi esse desenho a partir desta ilustração do livro Studies in Design. Para maiores detalhes sobre essa obra, veja a postagem anterior.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Estudos em Design

No passado eu considerava obrigação criar obras completamente inéditas, sem me basear em coisa alguma. Do contrário, eu não seria um bom artista. Em outras palavras, achava que deveria..."criar a partir do nada"! Com o tempo, vi que era uma grande tolice. Os grandes mestres do passado (Leonardo da Vinci, Michelangelo, Ingres, etc.) compunham, todos, suas obras a partir de modelos da vida real e nem por isso deixavam de ser mestres.

Então, abandonei essa idéia. Entendi ser perfeitamente válido pegar algo já existente e criar em cima dele. Porque aí eu adicionava elementos de meu estilo. Saía algo diferente e eu aprendia muito nesse processo. O desenho abaixo, que fiz hoje, é um bom exemplo:

O desenho original, tirado de um antigo livro, é este:

Comparando as duas ilustrações, você notará que há elementos comuns neles, porém eles foram arranjados de modos diferentes e em estilos diferentes. Aconselho você a tentar fazer experiências desse tipo: além de agradáveis, você aprenderá algo que irá somar na sua "bagagem artística".

O livro mencionado acima chama-se Studies in Design, de Christopher Dresser. Essa obra está disponível gratuitamente para consulta ou download, podendo ser acessada aqui.

sábado, 24 de setembro de 2016

Usando Patterns no Photoshop

Salve esta imagem em seu computador. É um arquivo png e ele será a matéria-prima para criarmos nosso pattern. Em seguida, abra o arquivo no Photoshop. (Nota: meu Photoshop está em inglês, porém você não terá dificuldade em seguir os procedimentos). Vá em Edit/Define Pattern (1). (em português: Editar/Definir Padrão) (a).


Um pequeno quadro de diálogo surgirá (2). Dê o nome que você desejar ao pattern (a) e clique em OK (b) para fechar o quadro.


Não é necessário encerrar o Photoshop, o pattern já estará pronto para você usar. Abra uma imagem qualquer para testar, eu utilizei esta:


Para aplicar o pattern, crie uma nova camada e use o atalho Shift+Ctrl+Backspace: ele fará com que o Photoshop preencha a camada inteira com o pattern que estiver selecionado no momento...o pattern mais recente, no caso.


Nesse exemplo eu colorizei o pattern através de uma layer style (em português: estilo de camada), a Gradient Overlay (Sobreposição de Degradê). Para ver maiores detalhes, clique na imagem abaixo:

Atenção: para salvar o pattern no Photoshop, em caráter definitivo, você precisará fazer outros procedimentos. Este tutorial explica como fazer. Saiba, também que há outra maneira de se aplica um pattern no Photoshop: através das Adjustment Layers (Camadas de Ajuste). Este tutorial dá uma visão geral do processo.

Caso queira aprender mais criação de degradês e de layer styles no Photshop, consulte este meu tutorial e este outro.

Usando Patterns no Gimp

Patterns podem ajudar a dar um toque especial em sua ilustração ou montagem. Mas o que são Patterns? Difícil definir claramente, a começar do próprio nome: alguns o conhecem por "padrões", por exemplo. Pattern seria um elemento ou desenho, planejado de forma a se repetir em intervalos regulares, de modo a formar uma textura ou outro desenho, maior. Explicando dessa forma, com certeza, ninguém vai entender (rsrs)!

Então, o melhor seria dar um pequeno exemplo prático: vou explicar como salvar um pattern, tanto no Gimp quanto no Photoshop e aí você poderá testá-lo à vontade. Primeiro, salve esta imagem em seu computador. É um arquivo png e ele será a matéria-prima para criarmos nosso pattern. Em seguida, proceda conforme as instruções abaixo, de acordo com o programa que você estiver usando. Trataremos primeiro do Gimp e, na postagem seguinte, do Photoshop...

No Gimp, abra o arquivo png e vá em Arquivo/Exportar como. No quadro de diálogo (1), mude a extensão do arquivo, de png para pat (a). Você deverá salvá-lo na pasta patterns, que está dentro da pasta .gimp-2.8, dentro de seu diretório pessoal (b). Caso tenha dificuldade em localizar essas pastas, consulte esta matéria do Gimp Brasil.

Em seguida, clique no botão Exportar, no canto inferior direito do quadro de diálogo (c). Surgirá um pequeno quadro (d), onde você poderá dar um nome ao pattern. Dê o nome que quiser e clique em Exportar, para encerrar.


Agora, vá em Editar/Preferências. No quadro (2) clique em Pastas (a) e, depois, em Texturas. Certifique-se que os quadradinhos diante dos nomes dos diretórios (b) estejam marcados... do contrário o pattern não estará disponível para você! Feito isso, feche o Gimp, para que o programa atualize e carregue o pattern na próxima vez que você o inicializar.


Abra novamente o Gimp. Dependendo de como seu programa está configurado, você verá uma miniatura do novo pattern na base da caixa de ferramentas (3). Senão, abra a aba patterns (a)...e ele estará lá.


Vou apresentar um pequeno exemplo de como aplicar o pattern. Esta ilustração (4), de minha autoria, contém três camadas (a). A personagem está na primeira camada, a do topo. Na segunda camada, abaixo, há um retângulo pintado com um degradê e, por fim, há uma terceira camada, totalmente pintada de branco:


Eu crio uma nova camada (5) e a coloco entre a camada da personagem e a camada do degradê (a). Em seguida, uso o atalho Ctrl+tecla de ponto-e-vírgula (Ctrl+;): com isto o Gimp preenche a camada inteira com o pattern que estiver selecionado no momento. No caso, o pattern mais recente, o nosso.


Claro que precisamos trabalhar um pouco mais nesse pattern, pois, como ele está, torna a ilustração confusa! A maneira mais prática é mudar o modo da camada do pattern. Nesse exemplo (6), eu mudei o modo, de: Normal para: Sobrepor (a). (Nota: nos programas em inglês o modo Sobrepor é chamado de: Overlay).


Você também pode experimentar outros modos de camada. No exemplo seguinte (7) utilizei o modo: Mesclar grãos (a) e reduzi um pouco a opacidade da camada. Além disso, empreguei uma máscara de camada (b), para remover parte da textura na área da vela e do bolo.


Aqui temos a ilustração finalizada. Veja que a textura ajudou a quebrar, um pouco, aquela "mesmice" do degradê.






terça-feira, 13 de setembro de 2016

Referências de Mãos

O blog AnatoRef, do Tumblr, postou algumas interessantes referências de mãos, como estas:

Para acessar a postagem daquele blog, clique aqui. Logo no finalzinho da postagem, você verá alguns links: aconselho a examiná-los também.

sábado, 10 de setembro de 2016

Tesouros Ornamentais

Eu gosto muito de desenhar ornamentos e o Internet Archive dispõe de ótimos livros sobre o assunto, todos eles gratuitos. Hoje quero recomendar a você o "Ornamental Treasures", de H. Dolmetsch. Essa obra mostra ornamentos de vários países, em diferentes períodos da História. Veja uma prévia do que você encontrará nela:

Para baixar o livro clique aqui. Quando abrir a página, vá até o canto inferior direito dela: ali você verá uma lista de formatos de arquivo (inclusive o pdf), escolha um deles para fazer o download.