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domingo, 4 de agosto de 2019

Dez mentiras para enganar desenhistas novatos

Citarei aqui apenas a primeira mentira, ela é a mais frequente:

1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor.”

Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.


O restante você pode ler no artigo: 10 mentiras para enrolar Designers inexperientes. Sim, essas mentiras, esses golpes também são aplicados em desenhistas (e, com certeza, em outros profissionais).

Leia com a atenção, guarde e salve o texto. Releia, de vez em quando, principalmente quando suspeitar que alguém esteja querendo te enganar com "conversinhas": provavelmente você as encontrará nessa lista...


Um último esclarecimento: o site cita, como fonte do artigo, o Mundo Gump...entretanto, nada encontrei nesse último site.

domingo, 17 de março de 2019

Mais um pouco sobre inspiração

Há pouco mais de três anos postei um pequeno artigo sobre inspiração, aqui no blog. Relendo hoje aquele texto, percebi que o assunto não estava esgotado e seria conveniente voltar a ele.

Tente mencionar a palavra "inspiração" e, quase sempre, alguém dirá: "O gênio é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração". Essa frase, atribuída a Thomas Edison, encerra uma grande verdade, mas muita gente se engana ao tomá-la em sentido literal.

Porque há casos nos quais não podemos contar sequer com meio por cento de inspiração e há vezes em que há zero por cento de inspiração! Aí só nos resta partir para os "cem por cento de transpiração". Ou seja, trabalhar, em vez de esperar por algo que talvez não venha.

A própria história de Edison ilustra esse ponto. Querendo fabricar uma lâmpada elétrica, ele testou centenas de materiais...até chegar ao mais adequado. Em outras palavras, Edison fracassou centenas de vezes, antes de conseguir seu objetivo e se não fosse a persistência desse homem, talvez ainda estívessemos usando lampiões a gás...ou outra coisa.

Nenhum ponto dessa história dá a entender que Thomas Edison foi agraciado com alguma "súbita inspiração" e nem que ficou parado à espera dela: ao contrário, ele partiu para a ação e começou a experimentar um material. Se esse não funcionava, ele partia para outro...e foi assim, até chegar aonde ele queria!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Estudos em Design

No passado eu considerava obrigação criar obras completamente inéditas, sem me basear em coisa alguma. Do contrário, eu não seria um bom artista. Em outras palavras, achava que deveria..."criar a partir do nada"! Com o tempo, vi que era uma grande tolice. Os grandes mestres do passado (Leonardo da Vinci, Michelangelo, Ingres, etc.) compunham, todos, suas obras a partir de modelos da vida real e nem por isso deixavam de ser mestres.

Então, abandonei essa idéia. Entendi ser perfeitamente válido pegar algo já existente e criar em cima dele. Porque aí eu adicionava elementos de meu estilo. Saía algo diferente e eu aprendia muito nesse processo. O desenho abaixo, que fiz hoje, é um bom exemplo:

O desenho original, tirado de um antigo livro, é este:

Comparando as duas ilustrações, você notará que há elementos comuns neles, porém eles foram arranjados de modos diferentes e em estilos diferentes. Aconselho você a tentar fazer experiências desse tipo: além de agradáveis, você aprenderá algo que irá somar na sua "bagagem artística".

O livro mencionado acima chama-se Studies in Design, de Christopher Dresser. Essa obra está disponível gratuitamente para consulta ou download, podendo ser acessada aqui.

domingo, 24 de abril de 2016

Esse tal de "Dom"...

Um leitor fez algumas perguntas e comentários importantes, tanto que decidi responder através de uma postagem. Para facilitar o acompanhamento, coloco na íntegra o que ele escreveu:

"Fala Rogério, parabéns pelo Blog e obrigado pelos tutoriais. Sempre gostei de desenhar, mas nunca tive o "dom" ou a prática...é algo que gosto mas sem exagero algum, sou PÉSSIMO.
Comecei recentemente um curso de desenho digital, meu objetivo futuramente é trabalhar com game art, mas sei que tenho um loooooongo caminho pela frente.
Prefiro trabalhar com a mesa digitalizadora, acho muito mais prático para desenhos mais complexos do que papel e lápis.

Meu questionamento é o seguinte. Uma pessoa que não tem a menor coordenação motora, (eu), mas que gosta do assunto, tem futuro? Sei que exige dedicação e tempo, mas as vezes penso que não estou conseguindo sair do lugar!

Um grande abraço! Obrigado"

Bem, começando pelo "dom": eu sempre estranhei o uso dessa palavra, nunca me imaginei tendo nascido com isso. Porque meus desenhos de criança eram iguais aos de qualquer outro menino de minha idade. Verdade, não havia nenhuma diferença!

Há pessoas que criam desenhos maravilhosos, sem nunca ter frequentado escolas de desenho? Sim, existem. Mas são pouquíssimos casos e não significa, necessariamente, que essas pessoas se tornarão desenhistas profissionais. Inclusive eu conheci uma pessoa dessas... e ele trabalhava como vendedor!

Além do mais, na prática, o Desenho é algo mais complexo do que esse tal de "dom". Por exemplo, não bastará saber desenhar de forma realística uma árvore, uma montanha e um riacho, se você não souber dispor corretamente esses elementos em um quadro. Pois se colocarmos esses elementos de uma maneira que não pareça interessante, o quadro não sairá bom.

É disso, aliás, que trata a Composição, em arte. Imaginar que um "dom" te dirá, magicamente, como fazer a composição de um quadro é sem sentido: só a prática e o estudo te trarão esses conhecimentos. Do mesmo modo, o dom não fornecerá ao escritor um livro totalmente pronto, bastando a ele digitar tudo no Word!

Mas vamos à sua pergunta: não entendi sua afirmação de não possuir "coordenação motora". Se você se refere a problemas com os traços, eu também os tinha...e eles foram resolvidos, em grande parte com os exercícios. Então, você pode praticá-los sem receio. Porém, precisará ter paciência, os resultados demoram alguns meses para aparecer e, claro, demoram mais ou menos, dependendo da pessoa.

Outra coisa que não compreendi bem: você informou possuir mesa digitalizadora e ter começado um curso de desenho digital. Sem são dúvida, são coisas muito legais...porém me ocorreu o seguinte: você não estará se propondo a fazer coisas demais e tudo ao mesmo tempo?

Porque, dessa forma, você acaba perdendo o foco. No desenho digital, seja desenhando direto no computador através da mesa digitalizadora ou desenhando no papel e depois escaneando, pra fazer o acabamento no programa gráfico, uma coisa é certa: se você não estiver com o traço OK, isto terminará por afetar a qualidade da sua arte.

Então, procure se concentrar primeiro em melhorar a parte do traço, depois você passa para outra parte onde tem dificuldade... e assim você progride e termina aquela sensação de não estar indo a parte alguma.

Bem, acredito ter dito o essencial, mas se você (ou outros leitores) tiver dúvidas ou comentários, pode postar.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Livro Grátis de Perspectiva

• Complete Perspective Course - J. Humphrey Spanton •

No primeiro artigo desta série, eu já havia indicado um livro sobre perspectiva, o The Theory and Practice of Perspective, de George Adolphus Storey. Posto agora a obra de J. Humphrey Spanton. Para acessá-la, bastar clicar no título acima. Quando abrir a página, vá até o canto inferior direito dela: ali você verá uma lista de formatos de arquivo, escolha um deles para fazer o download.

Uma técnica legal mostrada no livro de Spanton é a de construir letras em perspectiva (abaixo, à esquerda). À direita estão ilustradas as etapas do desenho de um barco, em perspectiva. Perceba que o autor primeiro traçou um esquema geral da embarcação, para facilitar a tarefa... e só depois acrescentou as linhas finais e os detalhes:



Para mim, sempre há vantagem em comparar dois livros de assuntos similares. Certas dicas ou explicações que um livro não traz, talvez estejam no outro. Muita gente tem mania de querer achar tudo em um único livro (algo parecido ao Mito do Curso Completo)... deixando de considerar aqueles que talvez as ensinassem bastante, mesmo em parte. Afinal, é melhor aprender em parte do que nada aprender.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Criando do Nada?

Mais um desenho elaborado em dois programas, o Inkscape e o Gimp:


Quem acompanha o blog deve lembrar que não é a primeira vez que eu uso essa dupla (veja este post). O bom é que um programa complementa o outro. No Inkscape eu cuido da construção da figura. Uma vez completada, eu a exporto com o dobro do tamanho final. Abro no Gimp, reduzo em 50% e faço o acabamento com degradês e filtros. Veja um screenshot da fase do Inkscape:



Reparem que, ao lado esquerdo da figura, há uma imagem escaneada: é a referência empregada como base para a construção. Eu a peguei de um livro, no final deste post vou indicar onde você pode baixá-lo. Antes, porém, gostaria de explicar mais a você sobre o uso de referências.

Primeiro, nenhum artista cria a partir do Nada. Ele produz a partir de coisas que ele viu, ouviu, aprendeu ou vivenciou. Mesmo quando ele desenha "de memória"... porque, obviamente, teria de haver algo nessa memória! Claro que aí entram outros fatores. A própria personalidade da pessoa a leva a interpretar esses dados (vou usar essa palavra, na falta de outra) de modo diferente de outra pessoa.

Tudo isso tem seu papel no processo criativo. Então, é valido usar referências? Sim! Se até os grandes mestres do passado, os pintores clássicos, empregavam modelos e objetos do mundo real, para compor seus quadros... qual o problema?

"Mas não é plágio"?. Não, se entrar o bom-senso. Certamente você não vai pegar o desenho de um Wolverine ou de um Naruto, copiar totalmente a pose do personagem (e outros detalhes), colocar o seu personagem no lugar e publicar como sendo criação sua! O mesmo vale para fotos e desenhos famosos. Aí, sim, seria plágio.

Na minha opinião, isso só vale se você copiar apenas para fins de estudo, sem pretensões de vender esse material e sempre citando a fonte de onde você pegou a ilustração e o nome do autor... ou caso você não saiba essas informações, declarar isso quando você postar a sua imagem.

Outro recurso é recorrer a imagens de domínio público, como eu fiz. O desenho original estava nesta página de um antigo livro. A obra chama-se: A handbook of ornament, de Franz Sales Meyer. Você pode baixá-la, gratuitamente, aqui.

Quando abrir a página, vá até o canto inferior direito dela. Ali você verá uma lista de formatos de arquivo, escolha um deles para fazer o download. Por exemplo, eu escolhi o formato PDF. Com o livro aberto no navegador (o Firefox, por exemplo), vá em Arquivo/Salvar como... salve onde quiser e você poderá ler o livro em qualquer navegador, mesmo estando off-line:


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Desenhar de graça? Chega!

Você desenha de graça? Acha normal? Leia isto e repense sua atitude:

Primeiro, há um grande inconveniente nisso. Se você faz um desenho grátis para um amigo e não faz para os outros, sempre fica a impressão que você favoreceu aquele amigo, em particular. E agora, como fica? Você faz o desenho para todo mundo ou para ninguém?

Para complicar, muitas pessoas tem o defeito do tipo "se você dá a mão, eles querem o pé". Gente assim pensa que você tem de estar sempre disponível para desenhar tudo o que eles quiserem, quando eles bem entenderem. Ou você faz um desenho pra eles num dia e no dia seguinte, já pedem mais dois...

Há, ainda, outras questões envolvidas: se você gosta tanto de desenhar, é natural escolher o Desenho como profissão. Porque quem realmente aprecia o que faz, além de produzir um serviço melhor, trabalha com prazer e tem maior motivação para superar as dificuldades do caminho.

Entretanto, é suficiente trabalhar no que gosta? Não: é preciso também ganhar dinheiro com isso. Senão, qual a vantagem? Se você não tem outra fonte de renda para se manter, precisará receber pelo seu trabalho. E receber o bastante para levar uma vida digna, claro.

Porém, como você ganhará dinheiro se desenha de graça? É sem sentido. Agindo assim, você mesmo detona seu sonho de ser desenhista profissional. Por quê? Por desvalorizar a sua arte. Aqui é indiferente se você diz ou pensa que valoriza: sua ação demonstra o contrário. Eu também já cometi esses erros e muitos outros desenhistas, idem... até começar a acordar.

Nos Estados Unidos e em muitos países da Europa os desenhistas ganham bem. Isso acontece porque nesses lugares se desenha a troco de nada? Ou é porque os desenhistas estrangeiros valorizam e respeitam seu trabalho e cobram o valor justo por ele?

Talvez você alegue que ainda é desenhista amador e é cedo para pensar nisso tudo. Tudo bem, mas chega a hora de decidir se continuará desenhando como hobby ou como profissão. Se é como hobby, não precisa mais ler isto; agora, se é como profissão, o ideal é passar a agir como profissional desde já.

E um profissional começa valorizando seu talento, o que significa parar de desenhar sem receber. Uma coisa é você fazer um ou outro desenho para uma instituição de caridade; outra, bem diferente, é você fazer caridade pra quem não precisa.



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Mau começo

Na Idade Média, quem quisesse aprender uma profissão, além de pagar ao mestre pelo aprendizado, tinha que trabalhar de graça para ele durante algum tempo. Era o sistema das Guildas ou Corporações de Ofício, adotado na Europa. Elas eram resultado da mentalidade medieval, que encarava as inovações com desconfiança e o lucro como pecado grave.

Com o tempo, as Corporações de Ofício foram extintas. Quer dizer, não totalmente: pois no Brasil ainda há desenhistas, especialmente iniciantes, acreditando ser obrigatório desenhar de graça Se você pensa dessa forma, é hora de mudar.

O desenhista não é forçado a começar na profissão sem receber. Um conceito desse tipo pertence ao passado. Médicos não começam trabalhando de graça. Nem padeiros, mecânicos ou arquitetos, nem qualquer outra profissão. Estamos no século 21: vamos viver conforme a mentalidade de hoje, não da Idade Média!

Nada se sustenta sem dinheiro: mesmo uma associação sem fins lucrativos necessita obter fundos de alguma forma. E não me diga: "com o desenho é diferente": o desenhista paga contas como qualquer outro trabalhador, pouco importando se ele é novato ou experiente: pois tudo o que você compra já vem com imposto embutido no preço.

Portanto, é justo o desenhista receber. Uma coisa é se ganhar pouco no início; outra, bem diferente, é bancar o escravo. Sim, porque a menos que você esteja prestando um serviço voluntário, para caridade ou coisa similar, estamos falando de escravidão. E da pior espécie, pois é uma escravidão voluntária.

Suponha que você viu um anúncio, onde um estúdio oferece trabalho para um desenhista e você esteja sendo entrevistado pelo dono. Quando digo "estúdio" estou empregando um termo genérico; tanto faz se chamam o lugar de "agência" ou outro nome... e para nossa discussão, é indiferente se você irá trabalhar no local ou em sua casa.

Tenha sempre em mente o seguinte: o dono do estúdio abriu a vaga no interesse dele, por ter uma clientela que lhe pagará pelos serviços de um desenhista. Sem essa clientela ou se houvesse pouca chance de lucro, o dono nem cogitaria em colocar um anúncio.

Portanto, ele não empregará você para "valorizar o artista nacional" ou "dar uma chance à nova geração de desenhistas" (ainda que afirme isso). Acreditar em idéias desse tipo é pura ingenuidade. E independente do quanto a pessoa seja gentil com você, ela defenderá os interesses dela! Você precisa defender os seus e se não quiser, pior pra você.

Só um aproveitador iria propor que você trabalhasse de graça para ele. Ainda que diga: "é só por uns três meses, depois eu começo a te pagar", se não houver um acordo escrito e assinado, nada garantirá o cumprimento dessa promessa.

E é perfeitamente possível que ele o mande embora, ao final desse prazo... para aplicar o mesmo golpe em outra pessoa! Infelizmente, enquanto houver gente que caia nessa, os aproveitadores vão fazer a festa. Acorde enquanto é tempo!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sobre créditos

Frequentemente pessoas procuram recrutar desenhistas, para determinados trabalhos, com propostas assim: "Não tenho dinheiro para pagar, mas darei os créditos a você". Muita gente propõe isso com boa intenção, é verdade, acreditando estar fazendo um enorme bem ao desenhista. No entanto, pessoas que teriam condições de pagar pelo trabalho (e, por malandragem, não querem!) também aparecem com propostas desse tipo! E acaba sendo difícil, na prática, separar honestos de pilantras...

Para o nosso tema, não faz tanta diferença a intenção da pessoa (e digo isso sem nenhuma ofensa), já que a natureza da proposta é essencialmente a mesma: seja para alguém honesto ou desonesto, o desenhista não receberá dinheiro se aceitar participar nesse negócio. Esse fato nem sempre é notado porque os tais "créditos" são super-valorizados, dando a impressão de valerem mais que o próprio dinheiro!

Na verdade, créditos não são uma forma de pagamento e nem mesmo de agradecimento: são um direito natural do artista! Não importa se a obra foi feita gratuitamente ou a dinheiro, quem recebeu a obra tem o dever de dar os créditos. É uma obrigação, não um favor: portanto, a pessoa não está fazendo nada de extraordinário, ao fornecer créditos ao desenhista.

Para perceber como essa idéia é sem sentido, aí vai um exemplo: quando um filme chega ao final sempre aparecem os créditos, ou seja os nomes das pessoas que ajudaram a realizá-lo. Quem seria ingênuo de supor que todas aquelas pessoas trabalharam de graça, para fazer o filme, só para terem seu nome ali?

Essa proposta de "créditos" quase sempre vem acompanhada com promessas de "divulgação". Em outra postagem, eu tratarei desse ponto, tomaria muito espaço discutir isto aqui. Então, vou tratar brevemente do assunto, até porque ele precisa ser mencionado. Vamos lá:

Atualmente os desenhistas tem diversas maneiras de divulgar seu trabalho, graças à internet: por meio de blogs, sites, no Deviantart, nos fóruns... até no facebook. E tudo gratuitamente, sem nenhum custo! Logo, não há sentido em desenhar de graça em troca de divulgação.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mercenário

Todo artista que recusou-se a fazer um desenho de graça talvez já tenha sido chamado de mercenário, pelo menos uma vez na vida. Mas quem faz essa acusação saberá, de fato, o que é um mercenário? O que significa essa palavra?

Consultando um dicionário, encontro três definições: 1) Aquele que trabalha por soldo ou estipêndio; 2) Quem trabalha apenas interessado no dinheiro; 3) Interesseiro. Naturalmente podem haver outras definições; porém, vamos analisar estas.

A primeira definição é discutível, pois "soldo" e "estipêndio" podem ser considerados sinônimos de "salário", que é "remuneração recebida em troca de serviços". Ou seja: todo trabalhador seria um mercenário, nessas condições, pois todo trabalhador recebe salário! Muito sem sentido, não?

Tentam ser melhores a segunda e a terceira definições...no entanto, se refletirmos, há algo de ingênuo nas duas: nos passam a impressão de vivermos em uma sociedade de seres iluminados que dá importância zero ao dinheiro! E, nessa sociedade perfeita, os artistas fazem o papel de malvados, únicos a pensar em coisas tão mesquinhas...

Na verdade, quem despreza bens materiais e pode abrir mão da maioria ou de todos eles, sem nenhuma hesitação é quem dá pouca importância a dinheiro. É o que nos ensinam várias filosofias e religiões. Diga sinceramente: quantas pessoas assim existem na sua família? Na rua onde você mora? Na sua escola e no seu emprego?

Caso uma pessoa diga: "Eu não ligo pra dinheiro" e dali a dez minutos confesse "não viver sem o celular à mão"...evidentemente sua primeira declaração é falsa: ainda que ela tenha ganho de presente o aparelho, alguém terá, obrigatoriamente, que desembolsar dinheiro para conseguir o celular (e pagar pelo uso, lógico).

Estou condenando a tecnologia? Não: com esse exemplo, procuro demonstrar que dinheiro e bens materiais são coisas interligadas; é sem sentido afirmar não dar valor a um se, no fundo, dá-se bastante importância ao outro. Assim se passam as coisas, no mundo real...

Para concluir: mesmo que "mercenário" signifique "interesseiro", a acusação soa estranha, na situação em que ela é feita: quem procurou o desenhista? A mesma pessoa que o acusa! Se ela quer a arte de graça, quem será a beneficiada, nesse negócio?

Apenas ela, é claro. Isso não é ser interesseiro?




domingo, 8 de novembro de 2015

O Mito do Curso Completo

Uma vez me perguntaram se eu conhecia algum "Curso Completo de Mangá", que ensinasse desde o básico até ao avançado. Minha resposta foi não: nada podia ser considerado assim, embora eu tenha encontrado muito material didático de desenho na internet.

Sim, vários cursos e livros já foram rotulados como: "curso completo" ou contendo as palavras: "aqui você aprende tudo" ou ainda: "encontra tudo". Na minha opinião, trata-se daquelas "frases-clichê" de propaganda, pouco tendo a ver com a realidade.

Uma coisa é alguém dizer: "este curso é ótimo, aprendi bastante nele". Aqui afirma-se algo perfeitamente possível. Agora, a pessoa declarar o tal curso como "completo" e que "aprendeu tudo ali"... é um exagero! Alguém entra em um curso sem saber desenhar absolutamente nada? Eu nunca vi. Inclusive é comum o aluno mostrar os seus trabalhos ao professor e aos colegas, logo no primeiro dia.

Se o aluno já sabe desenhar algo, por mínimo que seja, é porque aprendeu... e antes do curso! Logo, caso ele diga mais tarde: "aquela escola ensinou tudo que eu sei", isto não corresponderá a verdade. E esse aluno, tendo boa vontade em pesquisar e disposição para treinar, sem dúvida aprenderá desenho tanto fora do curso quanto depois de terminá-lo.

Portanto, essa história de "curso completo" é uma promessa que não se concretiza. Caso um curso de desenho fosse mesmo completo, nenhum outro seria necessário. Afinal, se o tal curso já ensina tudo, nada mais faltaria aprender sobre o assunto. Se faltasse, é porque seria incompleto. Olha só a contradição!

Em vez de perder tempo correndo atrás da ilusão do "grande curso", é muito melhor você tomar ações concretas e a partir de agora. Você é iniciante em Desenho? Ou, mesmo já tendo uma certa experiência, quer melhorar seu traço? Comece por aqui!

Não tem problemas com traços? Ou quer aprender mais sobre Desenho? Nesse caso, consulte a postagem Links de Tutoriais e Dicas de Desenho!