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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Um curioso experimento de desenho

Você já ouviu a expressão "eu consigo desenhar isto até de olhos fechados"? Parece que fizeram uma experiência nesse sentido, em 1947, com desenhistas famosos da época. Este foi um dos resultados:

==>> Veja mais no site Bored Panda.


domingo, 4 de agosto de 2019

Dez mentiras para enganar desenhistas novatos

Citarei aqui apenas a primeira mentira, ela é a mais frequente:

1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor.”

Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.


O restante você pode ler no artigo: 10 mentiras para enrolar Designers inexperientes. Sim, essas mentiras, esses golpes também são aplicados em desenhistas (e, com certeza, em outros profissionais).

Leia com a atenção, guarde e salve o texto. Releia, de vez em quando, principalmente quando suspeitar que alguém esteja querendo te enganar com "conversinhas": provavelmente você as encontrará nessa lista...


Um último esclarecimento: o site cita, como fonte do artigo, o Mundo Gump...entretanto, nada encontrei nesse último site.

domingo, 6 de março de 2016

"Por onde devo começar ?"

Nunca li o livro "Alice no País das Maravilhas", contudo vi algumas citações interessantes a respeito dessa obra e gostaria de compartilhar uma delas com você. É a seguinte: um personagem precisava fazer uma determinada tarefa e pergunta para outro por onde ele devia começar. A resposta foi: "Comece pelo começo. Vá até o fim. Então, pare."

Começar pelo começo! À primeira vista parece um conselho banal, estúpido até! Mas quando se trata de aprender Desenho, de ensinar Desenho, é justamente isso que pouca gente faz. Não é o traço o início de todo desenho? Sim, é. Logo, é o traço que devemos trabalhar, antes de tudo!

Como? Praticando exercícios de traço. Não deixe de ler as postagens referentes a esse assunto (e claro, pratique. Porque senão, de que resolve?). Veja também o FAQ, contendo respostas às dúvidas mais comuns.

Alguns leitores do blog me perguntaram a respeito da duração dos exercícios, quantas horas fazer, quantas folhas preencher... Eu próprio me fiz essas questões, quando decidi praticar os exercícios do Prof. Fábio. Na época, planejando como iria cumprir essa meta, cheguei a algumas conclusões.

Primeira, era mais prático estabelecer o objetivo não em "quantas horas por dia" e sim "quantas folhas por dia". Porque se eu fixasse o objetivo em, digamos, "praticar três horas por dia" e parasse durante meia hora para fazer outra coisa...acabaria não dando certo. O melhor caminho, portanto, era estabelecer por quantidade de folhas, não de horas. Dessa forma, eu não me deixava espaço para enrolação.

"Legal! Agora, Quantas folhas preencher? Duas? Cinco? Dez?" Em outros tempos, eu cometi o erro de pegar pesado, planejando fora da minha realidade... me cobrando fazer mil coisas num tempo mínimo. Resultando: acabava desanimando e abandonando a meta. Para evitar esse problema decidi colocar, como meta mínima, fazer uma folha por dia, frente e verso.

Mesmo nos dias mais puxados, me era possível cumprir essa meta diária. Nos dias em que me sobrava mais tempo (e motivação), eu preenchia mais folhas. Naqueles dias mais corridos, eu fazia apenas o mínimo... e não ficava me cobrando/me culpando por absolutamente nada! Sabia que só ia atingir o objetivo depois de meses...e estava cumprindo aquilo que me propus a fazer. A cada dia, um passo por vez.

Outra questão: "O que faço além dos exercícios?" Nos dois primeiros meses de treino, eu só me dediquei a praticar eles, porque não estava nada satisfeito com meu traço (muito pelo contrário!) e decidi dar atenção total a isso. Logicamente, eu variava os exercícios, a cada dia, para não me cansar...e fazia como descrevi no parágrafo anterior.

No entanto, aí vai de cada um. Se você quer desenhar outra coisa além, vá em frente. Só tome cuidado para não planejar "fazer coisas demais" em "tempo curto demais" ou se cobrar resultados acima do que você pode cumprir no seu momento...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dicas para iniciantes

Estas dicas foram extraídas do livro "Guia do Ilustrador", de Ricardo Antunes, ele pode ser baixado gratuitamente aqui. Também são válidas para quem pretendam trabalhar com computação gráfica. Os trechos do livro estão grafados na cor azul. Acrescentei comentários meus, somente para tornar o assunto mais claro.

"Veja os grandes artistas, descubra aqueles com os quais você mais se identifica, e estude-os. Não limite a sua cultura visual. Vá além das revistas de quadrinhos, mangá, tatuagens, grafitti, desenhos animados, etc."

A primeira frase está bem clara. Quanto à segunda e a terceira frase, são meio controversas, cada um tire suas conclusões quanto a elas...

"Para ser um bom ilustrador são necessários anos de estudo. Comece agora."

"Começar agora", no meu entender, significa não deixar tudo para depois: quanta gente por aí faz cursos caros e longos demais... só pra concluir que aquela profissão "não serve". Também não é o caso de querer aprender em um mês o que se leva, normalmente, um ano.

Começar agora é informar-se sobre a profissão desejada, ler entrevistas de profissionais, analisar os trabalhos que você vê por aí (releia a primeira frasee, mais importante: procurar saber o que a profissão exigirá de você; refletir se você poderá dar conta do recado, se é seu verdadeiro desejo seguir esse caminho... coisas assim).

"O que se combinar em termos de prazos (para entrega de um trabalho) não é da boca para fora, fica valendo a sério..."

É nesse ponto muita gente se 'queima': em certos casos, é preferível você ser sincero ao cliente, do que prometer coisas a ele e não cumprir. Mesmo entregando um serviço de qualidade, isso passa sempre uma má impressão de você para o cliente.

"Lembre-se: é muito difícil conquistar a confiança de um cliente, mas para perder essa confiança e ele nunca mais te chamar é num estalo."

Parece crueldade, porém funciona dessa forma, a maioria das pessoas age exatamente assim.. Ou você chamaria pela segunda vez um técnico que foi consertar seu computador... e quebrou seu monitor? Ou aquela loja de móveis que prometeu entregar seu sofá em dois dias e demorou duas semanas?.

"Trabalho recusado ou pedidos de alterações nele é comum e faz parte do ofício, não é prova de incompetência. Tome nota dos detalhes e correções apontadas. Se mandarem você refazer, pergunte o motivo e refaça."

Nesse caso, talvez até você tenha feito um trabalho bonito, mas ele não sirva para aquele determinado projeto... ou precise de alguns ajustes. Como o autor diz, é coisa natural e acontece mesmo com os grandes profissionais.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Criando do Nada?

Mais um desenho elaborado em dois programas, o Inkscape e o Gimp:


Quem acompanha o blog deve lembrar que não é a primeira vez que eu uso essa dupla (veja este post). O bom é que um programa complementa o outro. No Inkscape eu cuido da construção da figura. Uma vez completada, eu a exporto com o dobro do tamanho final. Abro no Gimp, reduzo em 50% e faço o acabamento com degradês e filtros. Veja um screenshot da fase do Inkscape:



Reparem que, ao lado esquerdo da figura, há uma imagem escaneada: é a referência empregada como base para a construção. Eu a peguei de um livro, no final deste post vou indicar onde você pode baixá-lo. Antes, porém, gostaria de explicar mais a você sobre o uso de referências.

Primeiro, nenhum artista cria a partir do Nada. Ele produz a partir de coisas que ele viu, ouviu, aprendeu ou vivenciou. Mesmo quando ele desenha "de memória"... porque, obviamente, teria de haver algo nessa memória! Claro que aí entram outros fatores. A própria personalidade da pessoa a leva a interpretar esses dados (vou usar essa palavra, na falta de outra) de modo diferente de outra pessoa.

Tudo isso tem seu papel no processo criativo. Então, é valido usar referências? Sim! Se até os grandes mestres do passado, os pintores clássicos, empregavam modelos e objetos do mundo real, para compor seus quadros... qual o problema?

"Mas não é plágio"?. Não, se entrar o bom-senso. Certamente você não vai pegar o desenho de um Wolverine ou de um Naruto, copiar totalmente a pose do personagem (e outros detalhes), colocar o seu personagem no lugar e publicar como sendo criação sua! O mesmo vale para fotos e desenhos famosos. Aí, sim, seria plágio.

Na minha opinião, isso só vale se você copiar apenas para fins de estudo, sem pretensões de vender esse material e sempre citando a fonte de onde você pegou a ilustração e o nome do autor... ou caso você não saiba essas informações, declarar isso quando você postar a sua imagem.

Outro recurso é recorrer a imagens de domínio público, como eu fiz. O desenho original estava nesta página de um antigo livro. A obra chama-se: A handbook of ornament, de Franz Sales Meyer. Você pode baixá-la, gratuitamente, aqui.

Quando abrir a página, vá até o canto inferior direito dela. Ali você verá uma lista de formatos de arquivo, escolha um deles para fazer o download. Por exemplo, eu escolhi o formato PDF. Com o livro aberto no navegador (o Firefox, por exemplo), vá em Arquivo/Salvar como... salve onde quiser e você poderá ler o livro em qualquer navegador, mesmo estando off-line:


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Desenhar de graça? Chega!

Você desenha de graça? Acha normal? Leia isto e repense sua atitude:

Primeiro, há um grande inconveniente nisso. Se você faz um desenho grátis para um amigo e não faz para os outros, sempre fica a impressão que você favoreceu aquele amigo, em particular. E agora, como fica? Você faz o desenho para todo mundo ou para ninguém?

Para complicar, muitas pessoas tem o defeito do tipo "se você dá a mão, eles querem o pé". Gente assim pensa que você tem de estar sempre disponível para desenhar tudo o que eles quiserem, quando eles bem entenderem. Ou você faz um desenho pra eles num dia e no dia seguinte, já pedem mais dois...

Há, ainda, outras questões envolvidas: se você gosta tanto de desenhar, é natural escolher o Desenho como profissão. Porque quem realmente aprecia o que faz, além de produzir um serviço melhor, trabalha com prazer e tem maior motivação para superar as dificuldades do caminho.

Entretanto, é suficiente trabalhar no que gosta? Não: é preciso também ganhar dinheiro com isso. Senão, qual a vantagem? Se você não tem outra fonte de renda para se manter, precisará receber pelo seu trabalho. E receber o bastante para levar uma vida digna, claro.

Porém, como você ganhará dinheiro se desenha de graça? É sem sentido. Agindo assim, você mesmo detona seu sonho de ser desenhista profissional. Por quê? Por desvalorizar a sua arte. Aqui é indiferente se você diz ou pensa que valoriza: sua ação demonstra o contrário. Eu também já cometi esses erros e muitos outros desenhistas, idem... até começar a acordar.

Nos Estados Unidos e em muitos países da Europa os desenhistas ganham bem. Isso acontece porque nesses lugares se desenha a troco de nada? Ou é porque os desenhistas estrangeiros valorizam e respeitam seu trabalho e cobram o valor justo por ele?

Talvez você alegue que ainda é desenhista amador e é cedo para pensar nisso tudo. Tudo bem, mas chega a hora de decidir se continuará desenhando como hobby ou como profissão. Se é como hobby, não precisa mais ler isto; agora, se é como profissão, o ideal é passar a agir como profissional desde já.

E um profissional começa valorizando seu talento, o que significa parar de desenhar sem receber. Uma coisa é você fazer um ou outro desenho para uma instituição de caridade; outra, bem diferente, é você fazer caridade pra quem não precisa.



segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Mau começo

Na Idade Média, quem quisesse aprender uma profissão, além de pagar ao mestre pelo aprendizado, tinha que trabalhar de graça para ele durante algum tempo. Era o sistema das Guildas ou Corporações de Ofício, adotado na Europa. Elas eram resultado da mentalidade medieval, que encarava as inovações com desconfiança e o lucro como pecado grave.

Com o tempo, as Corporações de Ofício foram extintas. Quer dizer, não totalmente: pois no Brasil ainda há desenhistas, especialmente iniciantes, acreditando ser obrigatório desenhar de graça Se você pensa dessa forma, é hora de mudar.

O desenhista não é forçado a começar na profissão sem receber. Um conceito desse tipo pertence ao passado. Médicos não começam trabalhando de graça. Nem padeiros, mecânicos ou arquitetos, nem qualquer outra profissão. Estamos no século 21: vamos viver conforme a mentalidade de hoje, não da Idade Média!

Nada se sustenta sem dinheiro: mesmo uma associação sem fins lucrativos necessita obter fundos de alguma forma. E não me diga: "com o desenho é diferente": o desenhista paga contas como qualquer outro trabalhador, pouco importando se ele é novato ou experiente: pois tudo o que você compra já vem com imposto embutido no preço.

Portanto, é justo o desenhista receber. Uma coisa é se ganhar pouco no início; outra, bem diferente, é bancar o escravo. Sim, porque a menos que você esteja prestando um serviço voluntário, para caridade ou coisa similar, estamos falando de escravidão. E da pior espécie, pois é uma escravidão voluntária.

Suponha que você viu um anúncio, onde um estúdio oferece trabalho para um desenhista e você esteja sendo entrevistado pelo dono. Quando digo "estúdio" estou empregando um termo genérico; tanto faz se chamam o lugar de "agência" ou outro nome... e para nossa discussão, é indiferente se você irá trabalhar no local ou em sua casa.

Tenha sempre em mente o seguinte: o dono do estúdio abriu a vaga no interesse dele, por ter uma clientela que lhe pagará pelos serviços de um desenhista. Sem essa clientela ou se houvesse pouca chance de lucro, o dono nem cogitaria em colocar um anúncio.

Portanto, ele não empregará você para "valorizar o artista nacional" ou "dar uma chance à nova geração de desenhistas" (ainda que afirme isso). Acreditar em idéias desse tipo é pura ingenuidade. E independente do quanto a pessoa seja gentil com você, ela defenderá os interesses dela! Você precisa defender os seus e se não quiser, pior pra você.

Só um aproveitador iria propor que você trabalhasse de graça para ele. Ainda que diga: "é só por uns três meses, depois eu começo a te pagar", se não houver um acordo escrito e assinado, nada garantirá o cumprimento dessa promessa.

E é perfeitamente possível que ele o mande embora, ao final desse prazo... para aplicar o mesmo golpe em outra pessoa! Infelizmente, enquanto houver gente que caia nessa, os aproveitadores vão fazer a festa. Acorde enquanto é tempo!


sábado, 28 de novembro de 2015

Algo sobre amizade

Durante o segundo ano do colégio, a professora passou um trabalho, no qual cada aluno deveria criar um cartaz sobre a Revolução de 1932. Mais da metade da classe pediu minha ajuda, pois todos sabiam que eu desenhava. E eu desenhei pra eles... porque, até então, minha consciência das coisas era próxima a zero: se eu não fizesse, não seria um "cara legal", estaria "pisando na bola". Meu colega de carteira observou tudo aquilo e, pouco depois, chamou-me para conversar.

Ele fez-me ver o que eu, na minha ignorância, deixei de perceber: em circunstâncias normais, muitos daqueles para os quais eu desenhei mal me cumprimentavam ou conversavam comigo. Apenas me procuraram por puro interesse. Mas, o mais importante não foi o que meu amigo disse e sim a atitude demonstrada por ele: embora não soubesse desenhar, ele fez sozinho o seu trabalho! Em momento algum quis aproveitar-se de nossa amizade para pedir favores.

E quanta gente age assim; quantos procuram nossa "amizade" unicamente para obter vantagens! Lembro que, em uma conversa, ouvi este comentário absurdo (não a meu respeito): "Se a pessoa é sua amiga mesmo, vai fazer esse desenho pra você". Se não fizer, então...adeus amizade? Algo que termina por tão pouco só pode ser falso e nem se deve lamentar por ter acabado!

Terminado o colégio, nunca mais encontrei esse meu colega. Infelizmente, não me recordo de seu nome e é bastante provável que ele já nem se lembre de mim... nossas memórias se perdem com o tempo, muita coisa acaba sendo esquecida, por mais que a gente queira conservar.

Entretanto, o essencial, o que meu amigo mostrou-me sobre amizade verdadeira, é algo que não se esquece... e, na minha opinião, mereceu ser contado aqui.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sobre créditos

Frequentemente pessoas procuram recrutar desenhistas, para determinados trabalhos, com propostas assim: "Não tenho dinheiro para pagar, mas darei os créditos a você". Muita gente propõe isso com boa intenção, é verdade, acreditando estar fazendo um enorme bem ao desenhista. No entanto, pessoas que teriam condições de pagar pelo trabalho (e, por malandragem, não querem!) também aparecem com propostas desse tipo! E acaba sendo difícil, na prática, separar honestos de pilantras...

Para o nosso tema, não faz tanta diferença a intenção da pessoa (e digo isso sem nenhuma ofensa), já que a natureza da proposta é essencialmente a mesma: seja para alguém honesto ou desonesto, o desenhista não receberá dinheiro se aceitar participar nesse negócio. Esse fato nem sempre é notado porque os tais "créditos" são super-valorizados, dando a impressão de valerem mais que o próprio dinheiro!

Na verdade, créditos não são uma forma de pagamento e nem mesmo de agradecimento: são um direito natural do artista! Não importa se a obra foi feita gratuitamente ou a dinheiro, quem recebeu a obra tem o dever de dar os créditos. É uma obrigação, não um favor: portanto, a pessoa não está fazendo nada de extraordinário, ao fornecer créditos ao desenhista.

Para perceber como essa idéia é sem sentido, aí vai um exemplo: quando um filme chega ao final sempre aparecem os créditos, ou seja os nomes das pessoas que ajudaram a realizá-lo. Quem seria ingênuo de supor que todas aquelas pessoas trabalharam de graça, para fazer o filme, só para terem seu nome ali?

Essa proposta de "créditos" quase sempre vem acompanhada com promessas de "divulgação". Em outra postagem, eu tratarei desse ponto, tomaria muito espaço discutir isto aqui. Então, vou tratar brevemente do assunto, até porque ele precisa ser mencionado. Vamos lá:

Atualmente os desenhistas tem diversas maneiras de divulgar seu trabalho, graças à internet: por meio de blogs, sites, no Deviantart, nos fóruns... até no facebook. E tudo gratuitamente, sem nenhum custo! Logo, não há sentido em desenhar de graça em troca de divulgação.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Sobre Autocrítica

Em um artigo sobre um desenhista, do qual ficarei devendo o nome, li o seguinte: "Ele era muito exigente consigo mesmo. Caso não estivesse satisfeito com a tira de jornal que estava fazendo, jogava-a no lixo, mesmo estando ela quase finalizada... e começava tudo de novo."

Aí está alguém com verdadeira autocrítica! A atitude desse artista tem suas vantagens: você joga fora o primeiro desenho e o segundo geralmente sai melhor. Entretanto, há o risco da autocrítica passar a ser excessiva e virar perfeccionismo. Muita gente encara o perfeccionismo como uma qualidade, justamente por confundí-lo com a autocrítica. Na verdade, ele é o exagero da autocrítica e algo bem pouco saudável.

O perfeccionista tende a ver defeitos onde eles não existem ou são pouco importantes: se o artista colocou um pequeno vaso fora de lugar em um quadro, isso "estragou a obra inteira", na visão dele. Será que estragou mesmo? Talvez pouca gente tenha notado o tal vaso ou achado algum erro nele... e se achou, é possível ter julgado um erro aceitável.

Além disso, é comum a falha estar em apenas um ou dois elementos do desenho e talvez compense mais corrigir os erros do que rasgar tudo! Mas quando fazer uma coisa e quando fazer outra? Só experimentando para saber a resposta...

Se autocrítica demais é ruim, bem pior é a falta dela. Quantas vezes já vimos pessoas postarem desenhos que elas pensam ser mangá... e que, na realidade, tem pouco a ver? Examinando-se esses trabalhos, nota-se que os traços não tem beleza, nem precisão e o artista teve pouca paciência com os detalhes. Ou seja, é justamente o contrário do estilo normal do quadrinho japonês!

Quase todos concordarão que autocrítica é algo necessário ao artista... entretanto, ela deve ser equilibrada. Se for excessiva, a pessoa valorizará mais os defeitos do que as qualidades do seu trabalho; se for menor do que o necessário, o desenhista não enxergará o que deve ser corrigido.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um pouco sobre inspiração

Entre uma porção de livros usados, encontrei um chamado: Psicologia Educacional, de George J. Mouly. Foi publicado no Brasil em 1966 e a versão original é um pouco mais antiga, de 1960. Uma obra com mais de cinquenta anos inevitavelmente torna-se defasada, mesmo que em parte... entretanto, algumas coisas nela talvez ainda sejam válidas.

Uma delas é uma parte do livro, infelizmente curta, onde se trata da Capacidade Criadora, mais exatamente sobre a Inspiração. Decidi compartilhar essas informações com vocês, pois é um livro difícil de se achar.

Vou citar os trechos dele e fazer comentários em seguida, para deixar mais claro. Todos os textos retirados do livro estão entre aspas, pois assim fica fácil diferenciar quais são as palavras do autor e quais são as minhas. Vamos lá, então.

Segundo Mouly (o autor da obra), é comum que "...a inspiração surja, não enquanto a pessoa a procura ativamente, mas depois de um período em que após tentar obter inutilmente uma idéia, afastou-se de tudo".

Com certeza já aconteceu com muitos de nós: ficamos minutos ou horas tentando resolver algum problema, sem sucesso... e, quando deixamos de pensar nele e nos afastamos totalmente, aparece a inspiração para solucioná-lo!

Mas por que, em tantas vezes, perdemos tanto tempo nessa busca de soluções? Mais adiante, Mouly esclarece: "...quando a pessoa procura deliberadamente uma resposta para seu problema, tende a entrar num beco sem saída e a explorar os mesmos caminhos infrutíferos..."

Ou seja, a pessoa envolve-se demais com o problema (e da maneira errada) e sua mente passa a girar em torno de idéias inúteis e bem parecidas entre si... idéias que ela passa e repassa, sem gostar de nenhuma ("beco sem saída").

Entretanto, notem que Mouly usou a palavra "tende". Ou seja, as pessoas tendem a agir de uma determinada forma, porém nem todas, necessariamente, agirão como o esperado. Certas pessoas conseguem raciocionar com a calma e a distância necessárias, evitando essa armadilha....

Continuando: quando procuramos uma resposta e não achamos, é normal ficarmos nervosos, ansiosos. E, nos diz Mouly, "...quanto mais a pessoa se torna ansiosa, diante da impossibilidade de encontrar uma solução, maiores as chances de que mostre rigidez na forma de enfrentar a questão (visão de túnel) e até a fadiga pode interferir no seu pensamento.".

Aqui está uma imagem para ilustrar esse ponto: quando estamos em um longo túnel, com pouca ou nenhuma luz, não enxergamos nem à direita, nem à esquerda; só vemos uma saída à frente. E ela nos dá a impressão de estar mais longe que na realidade, pois não avaliamos bem as distâncias na escuridão.

Enquanto a pessoa está nesse círculo vicioso (busca de respostas >> falta de solução >> ansiedade), é de se esperar que, em algum momento, se canse e desista: ela afasta-se do problema. Há aqueles que não gostam da palavra desistir, lembra fraqueza, derrota...

Nesses casos, porém, é uma atitude correta. Conforme Mouly esclarece, "...um período de descanso e relaxamento, durante o qual o pensamento divaga livremente...apresenta a oportunidade para o aparecimento de uma nova organização.".

Estando menos apegados ao problema do que antes, o vemos de modos diferentes e isto altera nossos próprios pensamentos a respeito dele, nossa forma de encará-lo ("uma nova organização")...a partir daí, há condições favoráveis para surgir a inspiração!

Aqui, Mouly nos alerta sobre algo importante: "...a inspiração precisa ser avaliada diante da realidade. Por exemplo, é frequente que o criador verifique, ao pensar uma segunda vez, que sua idéia não dará certo, pois deixou de lado algum fator ou princípio básico. A inspiração para o projeto de uma casa deve ser rejeitada quando o arquiteto compreende que sua idéia para uma determinada localização de uma escada seria ideal de um modo, mas péssima de outro.".

Inspiração nem sempre vem como uma solução pronta, como o povo pensa: ela necessita ser trabalhada, adaptada para o objetivo que queremos alcançar... e também devemos nos perguntar se essa idéia, essa inspiração que tivemos, ajuda ou atrapalha nosso objetivo.

Ou seja: é possível que aquela idéia brilhante que nos veio não funcione para a ilustração que estamos fazendo no momento e sim para uma outra. O erro, então, não está na idéia e sim no lugar onde a colocamos.


domingo, 8 de novembro de 2015

O Mito do Curso Completo

Uma vez me perguntaram se eu conhecia algum "Curso Completo de Mangá", que ensinasse desde o básico até ao avançado. Minha resposta foi não: nada podia ser considerado assim, embora eu tenha encontrado muito material didático de desenho na internet.

Sim, vários cursos e livros já foram rotulados como: "curso completo" ou contendo as palavras: "aqui você aprende tudo" ou ainda: "encontra tudo". Na minha opinião, trata-se daquelas "frases-clichê" de propaganda, pouco tendo a ver com a realidade.

Uma coisa é alguém dizer: "este curso é ótimo, aprendi bastante nele". Aqui afirma-se algo perfeitamente possível. Agora, a pessoa declarar o tal curso como "completo" e que "aprendeu tudo ali"... é um exagero! Alguém entra em um curso sem saber desenhar absolutamente nada? Eu nunca vi. Inclusive é comum o aluno mostrar os seus trabalhos ao professor e aos colegas, logo no primeiro dia.

Se o aluno já sabe desenhar algo, por mínimo que seja, é porque aprendeu... e antes do curso! Logo, caso ele diga mais tarde: "aquela escola ensinou tudo que eu sei", isto não corresponderá a verdade. E esse aluno, tendo boa vontade em pesquisar e disposição para treinar, sem dúvida aprenderá desenho tanto fora do curso quanto depois de terminá-lo.

Portanto, essa história de "curso completo" é uma promessa que não se concretiza. Caso um curso de desenho fosse mesmo completo, nenhum outro seria necessário. Afinal, se o tal curso já ensina tudo, nada mais faltaria aprender sobre o assunto. Se faltasse, é porque seria incompleto. Olha só a contradição!

Em vez de perder tempo correndo atrás da ilusão do "grande curso", é muito melhor você tomar ações concretas e a partir de agora. Você é iniciante em Desenho? Ou, mesmo já tendo uma certa experiência, quer melhorar seu traço? Comece por aqui!

Não tem problemas com traços? Ou quer aprender mais sobre Desenho? Nesse caso, consulte a postagem Links de Tutoriais e Dicas de Desenho!