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domingo, 17 de março de 2019

Mais um pouco sobre inspiração

Há pouco mais de três anos postei um pequeno artigo sobre inspiração, aqui no blog. Relendo hoje aquele texto, percebi que o assunto não estava esgotado e seria conveniente voltar a ele.

Tente mencionar a palavra "inspiração" e, quase sempre, alguém dirá: "O gênio é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração". Essa frase, atribuída a Thomas Edison, encerra uma grande verdade, mas muita gente se engana ao tomá-la em sentido literal.

Porque há casos nos quais não podemos contar sequer com meio por cento de inspiração e há vezes em que há zero por cento de inspiração! Aí só nos resta partir para os "cem por cento de transpiração". Ou seja, trabalhar, em vez de esperar por algo que talvez não venha.

A própria história de Edison ilustra esse ponto. Querendo fabricar uma lâmpada elétrica, ele testou centenas de materiais...até chegar ao mais adequado. Em outras palavras, Edison fracassou centenas de vezes, antes de conseguir seu objetivo e se não fosse a persistência desse homem, talvez ainda estívessemos usando lampiões a gás...ou outra coisa.

Nenhum ponto dessa história dá a entender que Thomas Edison foi agraciado com alguma "súbita inspiração" e nem que ficou parado à espera dela: ao contrário, ele partiu para a ação e começou a experimentar um material. Se esse não funcionava, ele partia para outro...e foi assim, até chegar aonde ele queria!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Efeito Tridimensional Simples

Ao falar de 3D (ou Efeito Tridimensional) logo imaginamos ilustrações mostrando elementos com todos aqueles detalhes de luzes, sombras e texturas. Sem dúvida, elas são bonitas...entretanto, não devemos esquecer que, em certas ocasiões, não será preciso empregar tantos efeitos especiais, poderemos seguir métodos mais simples. Como exemplo, observe este meu trabalho mais recente, feito totalmente no Inkscape (clique na imagem para ampliar):



Nele eu apliquei apenas cores chapadas, ou seja, sem nenhum degradê ou meio-tom. Nada além de cinco cores (não contando com o branco, claro). Ainda assim, do modo como as cores foram dispostas, elas nos dão uma certa ilusão de serem tridimensionais.

Eis uma cópia reduzida do original, a partir do qual elaborei o meu desenho. Como sempre gosto de fazer, tomei a liberdade de mudar certos detalhes:



O desenho original é um dos muitos encontrados nas Coleções Digitais da Biblioteca Pública de Nova York e está disponível nesta página. Se você gostou, aproveite para ver outros desenhos dessa coleção.

Um conselho: não se limite a, simplesmente, baixar os desenhos e esquecê-los em algum canto de seu computador! Sempre que possível, escolha aqueles que mais gostar e tente reproduzí-los, no programa gráfico de sua preferência.

Essas experiências lhe darão conhecimentos que poderão ser úteis, mais tarde (ou, talvez, até antes do que você pensa). Se não conseguir fazer um deles, tudo bem: faça outro.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um pouco sobre inspiração

Entre uma porção de livros usados, encontrei um chamado: Psicologia Educacional, de George J. Mouly. Foi publicado no Brasil em 1966 e a versão original é um pouco mais antiga, de 1960. Uma obra com mais de cinquenta anos inevitavelmente torna-se defasada, mesmo que em parte... entretanto, algumas coisas nela talvez ainda sejam válidas.

Uma delas é uma parte do livro, infelizmente curta, onde se trata da Capacidade Criadora, mais exatamente sobre a Inspiração. Decidi compartilhar essas informações com vocês, pois é um livro difícil de se achar.

Vou citar os trechos dele e fazer comentários em seguida, para deixar mais claro. Todos os textos retirados do livro estão entre aspas, pois assim fica fácil diferenciar quais são as palavras do autor e quais são as minhas. Vamos lá, então.

Segundo Mouly (o autor da obra), é comum que "...a inspiração surja, não enquanto a pessoa a procura ativamente, mas depois de um período em que após tentar obter inutilmente uma idéia, afastou-se de tudo".

Com certeza já aconteceu com muitos de nós: ficamos minutos ou horas tentando resolver algum problema, sem sucesso... e, quando deixamos de pensar nele e nos afastamos totalmente, aparece a inspiração para solucioná-lo!

Mas por que, em tantas vezes, perdemos tanto tempo nessa busca de soluções? Mais adiante, Mouly esclarece: "...quando a pessoa procura deliberadamente uma resposta para seu problema, tende a entrar num beco sem saída e a explorar os mesmos caminhos infrutíferos..."

Ou seja, a pessoa envolve-se demais com o problema (e da maneira errada) e sua mente passa a girar em torno de idéias inúteis e bem parecidas entre si... idéias que ela passa e repassa, sem gostar de nenhuma ("beco sem saída").

Entretanto, notem que Mouly usou a palavra "tende". Ou seja, as pessoas tendem a agir de uma determinada forma, porém nem todas, necessariamente, agirão como o esperado. Certas pessoas conseguem raciocionar com a calma e a distância necessárias, evitando essa armadilha....

Continuando: quando procuramos uma resposta e não achamos, é normal ficarmos nervosos, ansiosos. E, nos diz Mouly, "...quanto mais a pessoa se torna ansiosa, diante da impossibilidade de encontrar uma solução, maiores as chances de que mostre rigidez na forma de enfrentar a questão (visão de túnel) e até a fadiga pode interferir no seu pensamento.".

Aqui está uma imagem para ilustrar esse ponto: quando estamos em um longo túnel, com pouca ou nenhuma luz, não enxergamos nem à direita, nem à esquerda; só vemos uma saída à frente. E ela nos dá a impressão de estar mais longe que na realidade, pois não avaliamos bem as distâncias na escuridão.

Enquanto a pessoa está nesse círculo vicioso (busca de respostas >> falta de solução >> ansiedade), é de se esperar que, em algum momento, se canse e desista: ela afasta-se do problema. Há aqueles que não gostam da palavra desistir, lembra fraqueza, derrota...

Nesses casos, porém, é uma atitude correta. Conforme Mouly esclarece, "...um período de descanso e relaxamento, durante o qual o pensamento divaga livremente...apresenta a oportunidade para o aparecimento de uma nova organização.".

Estando menos apegados ao problema do que antes, o vemos de modos diferentes e isto altera nossos próprios pensamentos a respeito dele, nossa forma de encará-lo ("uma nova organização")...a partir daí, há condições favoráveis para surgir a inspiração!

Aqui, Mouly nos alerta sobre algo importante: "...a inspiração precisa ser avaliada diante da realidade. Por exemplo, é frequente que o criador verifique, ao pensar uma segunda vez, que sua idéia não dará certo, pois deixou de lado algum fator ou princípio básico. A inspiração para o projeto de uma casa deve ser rejeitada quando o arquiteto compreende que sua idéia para uma determinada localização de uma escada seria ideal de um modo, mas péssima de outro.".

Inspiração nem sempre vem como uma solução pronta, como o povo pensa: ela necessita ser trabalhada, adaptada para o objetivo que queremos alcançar... e também devemos nos perguntar se essa idéia, essa inspiração que tivemos, ajuda ou atrapalha nosso objetivo.

Ou seja: é possível que aquela idéia brilhante que nos veio não funcione para a ilustração que estamos fazendo no momento e sim para uma outra. O erro, então, não está na idéia e sim no lugar onde a colocamos.